segunda-feira, 17 de junho de 2013

Grandes momentos #3: as manobras de Dudek

 
 
Sobre a final da Champions de 2005 há muitas histórias para contar. O encontro entre AC Milan e Liverpool, dois históricos do futebol europeu, ficará para sempre gravado nos almanaques como uma das melhores finais de sempre. Da noite molhada de Istambul, fica uma primeira parte de sonho dos italianos, chegando ao intervalo a ganhar 3-0 e a dar um baile ao adversário. Mas também fica uma segunda parte maravilhosa dos homens de Liverpool, que em quinze minutos igualaram os 45 minutos milaneses. 3-3, recurso a prolongamento sem qualquer golo e grandes penalidades. Venceram os vermelhos de Liverpool porque do seu lado estava o polaco Dudek.
 
Dudek, ágil entre os postes, amigo dos fotógrafos mas também conhecido pelas falhas de concentração, ficará sempre imortalizado por dois momentos ocorridos naquela final de Istambul. No prolongamento, Shevchenko, um dos melhores avançados de então, rematou no mesmo segundo por duas vezes à baliza de Dudek. Este negou-lhe o golo de forma miraculosa. O segundo momento são vários: são cinco grandes penalidades cobradas por jogadores do AC Milan. Serginho, Pirlo, Tomasson, Kaká e Shevchenko foram os escolhidos de Ancelotti para ultrapassar Dudek, que tinha decidido usar uma estratégia diferente na abordagem a cada remate dos onze metros.
 
Não era nenhuma inovação mas raramente tínhamos visto algo assim num jogo tão importante. Antes de partirem para cada remate, os jogadores do AC Milan tinham pela frente um guarda-redes que não parava quieto, sempre agitando os braços, de um poste ao outro, na tentativa de desconcentrar o seu adversário. E teve resultados. Serginho e Pirlo (!) falharam os seus remates. A seguir, Tomasson e Kaká conseguiram perceber o esquema do polaco e não tiveram dificuldades em marcar. E como os companheiros de Dudek iam cumprindo com a sua obrigação, quando chegou à vez de Shevchenko era obrigatório que fosse golo para que os milaneses sonhassem com o troféu. Mas o ucraniano ainda devia estar a pensar como tinha falhado aquele golo no prolongamento e partiu medroso, assustado, mole para o remate. Foi frouxo e centrado, permitindo a Dudek - que mantinha o ritual dançante - a defesa e a glória.
 
Lembro-me de na altura ter achado aquilo uma loucura. E, durante muito tempo, em jogos de futebol com amigos, no momento de uma grande penalidade havia sempre alguém que clamava por Dudek, ora pedindo que o guarda-redes dançasse, ora era o próprio guarda-redes que tentava destabilizar o adversário à imagem do polaco.
 
Há umas linhas atrás disse tinha sido um momento único. Pois bem, é a altura de recordar Bruce Grobbelaar, o mítico sul-africano que defendeu a baliza do Liverpool na década de 80 e que também ganhou uma Champions nas grandes penalidades frente a uma equipa italiana. Em 1984 foi contra a Roma, em plena capital italiana. A excentricidade de Grobbelaar já era conhecida por isso não foi surpresa termos assistido às lendárias spaghetti legs antes do penúltimo penalti romano. A forma como se comportou antes dos remates decisivos tinha apenas o propósito de desconcentrar os adversários porque ele não era um especialista na defesa de remates de onze metros. Mas fez os possíveis para atrapalhar e a verdade é que em quatro remates, dois foram para fora.
 
Pelo contrário, Dudek era um especialista em grandes penalidades e conseguiu defender três em Istambul após a sua performance pré-remate. Se foi inspirado por Grobbelaar não sei, mas Dudek ficou imortalizado para sempre na história dos guarda-redes mundiais devido à sua prestação na final de Istambul.

sábado, 15 de junho de 2013

Rui Patrício nunca será grande

 
 
Rui Patrício, pré-época após pré-época, é sempre capa de jornais e causa de muitas notícias, tantos são os colossos europeus que o cobiçam. Rui Patrício é o melhor guarda-redes português? De longe. Está no top-20 europeu? Nem de perto. Debaixo dos postes, o guarda-redes do Sporting tem um nível acima da média e faz defesas extraordinárias. Mas no jogo de pés e nas bolas pelo ar, Rui Patrício é fraco e faz com que, numa análise global, fique a perder para vários outros guardiões europeus.
 
Confesso que fico surpreendido sempre que vejo o nome de Patrício associado a grandes clubes. Um clube de topo tem que ter um guarda-redes de topo, ou seja, um guarda-redes completo em todas as vertentes técnicas. Não sou daqueles que defende que o guarda-redes deva ser uma espécie de Neymar das balizas, mas há limites mínimos a cumprir. E Rui Patrício, a meu ver, não os cumpre. Tal e qual na vertente das saídas pelo ar: trapalhão e com timing errado, Patrício não é um especialista nesta aspecto.
 
Pode Patrício chegar a um grande clube europeu? Pode, e estar no Sporting já significa muito, apesar do péssimo momento que o clube leonino atravessa. Aliás, é nesta fase que se tem visto muitas das qualidades de Patrício, evitando goleadas certas - numa situação normal, um guarda-redes do Sporting deveria evitar empates e derrotas. Mas duvido que tenha um grande sucesso num clube de ainda maiores dimensões. A pressão seria diferente e qualquer erro seria fatal. E Patrício comete-os demasiadas vezes para um guarda-redes de topo.
 
Não me estou a esquecer que é especialista em grandes penalidades, nem que faz defesas assombrosas, nem que se estreou na Liga de uma forma soberba - na Madeira fazendo grandes defesas e parando, lá está, um penalti - nem que é dono da baliza da selecção de portuguesa - uma equipa de topo? - mas falta muito a Patrício para ser um grande guarda-redes europeu. E, aos 25 anos, duvido que vá a tempo.
 
Estarei aqui para me defender no dia em que Patrício ganhar um grande título.

 
Desenhado por Pedro Barbosa | Gerido por Pedro Fragoso - Heróis e Galináceos