quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Duelos #2: Fabiano vs Hélton



O regresso à competição de Hélton é uma grande notícia para Julen Lopetegui. O experiente guarda-redes brasileiro superou uma lesão complicada no tendão de Aquiles e, dez meses depois, voltou a competir oficialmente pelo clube. O FCPorto tem agora quatro opções muito válidas para a baliza – Fabiano, Andrés Fernandez, Hélton e Ricardo – e, agora que entramos na segunda e decisiva metade da temporada, o técnico espanhol tem que optar por aquela que lhe dá melhores garantias.

Ricardo está destinado a ser apenas um dos muitos guarda-redes do clube que nunca terá oportunidades e acabará por rodar épocas consecutivas emprestado a outros clubes da Primeira Liga. A contratação de Andrés Fernandez sempre foi um mistério para todos. Não podemos dizer que é um mau guarda-redes mas a sua inclusão no plantel portista não faz sentido desde o primeiro minuto e só vem dar razão àqueles que contestam a política de contratações do clube – porque não apostar nos jovens, quando havia Fabiano, Ricardo, Kadú e Hélton? Este raciocínio pode ser feito para Opare, Jose Angel, Marcano ou mesmo Evandro e Campaña mas aqui interessa-nos os guardiões da baliza. O guarda-redes espanhol, portanto, pode ser um bom valor para os treinos e terá alguma margem para evoluir no Dragão mas parece precipitado pensar nele para primeira opção até porque Fernandez nunca jogou num grande e a pressão de ser campeão é diferente da de jogar num clube de meio da tabela espanhola.

Sobram Fabiano e Hélton. O primeiro mereceu a confiança de Lopetegui até agora, o segundo é já uma referência do clube e figurará certamente na história do FCPorto como um dos cinco melhores guarda-redes de sempre. Vamos então analisar os pontos fortes e fracos dos dois guarda-redes.

Fabiano:



Pontos fortes – entre os postes, Fabiano tem uma agilidade fora do comum conseguindo belas intervenções de nível de dificuldade elevado. Pelo ar, Fabiano nunca revelou problemas e sempre se mostrou seguro. Antes de chegar ao Dragão tinha fama de defender grandes penalidades. Com a camisola azul e branca ainda não revelou essa faceta e já teve várias oportunidades.

Pontos fracos – o jogo com os pés é claramente um problema para Fabiano: não é que seja “tosco” mas não se sente confortável com a bola nos pés e isso nota-se ainda mais porque o jogo da equipa pede muita intervenção do guarda-redes. Pode ainda melhorar as suas intervenções no mano-a-mano com os atacantes contrários. Fabiano, com excepção do jogo da Taça da Liga do ano passado com o Sporting, falhou sempre nos jogos grandes, quer na época passada (Sevilha e Benfica), quer esta época (Estoril, Sporting e Benfica) comprometendo os resultados da equipa, revelando assim muita ansiedade nestes jogos e dificuldade em superar a pressão.


Hélton:



Pontos fortes – um guarda-redes que fez esquecer Baía e que é um símbolo de uma equipa como o FCPorto só pode ser um excelente guarda-redes. O brasileiro, que passou por uma fase menos boa depois da misteriosa exclusão do escrete, sempre revelou excelentes reflexos, um jogo de pés fortíssimo, altos níveis de concentração e excelente chefia da defesa através de uma comunicação muito bom com os colegas. Sempre foi um guarda-redes de topo.

Pontos fracos – a falta de competição num guarda-redes durante 10 meses é ainda mais grave quando a maior parte do tempo nem treino específico realiza. Foi o que aconteceu a Hélton após a lesão – ontem, no regresso, vimos um Hélton com alguma pressa em fazer as coisas bem e a precipitar-se inclusivamente num lance caricato; no lance do golo, Hélton ficou demasiado tempo na linha de baliza enquanto o adversário se adiantava no terreno. Outro ponto fraco é o excessivo risco que o guarda-redes brasileiro gosta de correr nos lances em que intervém com os pés, quase matando de susto os adeptos nas bancadas.


Avaliação

Se eu tivesse que escolher, a partir de Fevereiro Hélton seria o dono da baliza portista. Aproveitaria os dois próximos jogos da Taça da liga para dar rodagem competitiva ao veterano brasileiro e a partir de Fevereiro escolheria-o para comandar a defesa portista. As razões são óbvias: na primeira metade do campeonato, o FCPorto cometeu vários erros defensivos e Fabiano falhou nos jogos grandes Os defesas, com Hélton na baliza, sentem-se mais protegidos. Para além disso, e ontem vimos isso, o jogo de pés de Hélton faz a diferença no estilo de jogo da equipa. Com os pés, Hélton toma melhores e mais rápidas decisões do que Fabiano fazendo com que a defesa, por onde passa muito jogo do FCPorto, receba a bola em melhores condições para a transportar ofensivamente.


Lopetegui, antigo guarda-redes, certamente terá mais dados do que os apresentados antes para decidir o que é melhor para a sua equipa. Mas é inegável que o regresso de Hélton vem baralhar as contas na luta pela baliza portista.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Fetiche #3 - Pedro Roma


Durante os anos 90 e inícios da primeira década do século XXI havia uma frase que eu, enquanto miúdo, ouvi muito: “só sabe defender contra os grandes”. Estávamos no tempo em que dava um jogo por semana na televisão e em que os jogos das 16h de domingo eram destaque apenas no Domingo Desportivo em breves resumos de dois/três minutos.Os jogos televisionados eram os dos três grandes e representavam uma grande oportunidade para brilhar perante as várias câmaras. Os guarda-redes, já com a fama de “defender para a fotografia”, agora podiam também fazer defesas vistosas para as repetições de ângulos distintos.

Voltemos à frase: “só sabe defender contra os grandes”. Refere-se, claro, a guarda-redes que faziam grandes exibições contra Benfica, Porto e Sporting, ou seja, em jogos televisionados. Pouco sabíamos das suas prestações noutros jogos mas o talento televisionado naquela altura valia por dezenas e dezenas de jogos na “clandestinidade” dos jogos sob o sol das 16h dos domingos em todo o país. Um miúdo como eu, que até gostava das tardes desportivas das rádios ao domingo, mas também habituado a ver vários jogos não televisionados de um grande, tinha três ou quatro nomes de guardiões que me enchiam as medidas e que brilhavam muito nas televisões portuguesas.

Um deles é Pedro Roma. Outro é Marco Tábuas mas o pequeno guarda-redes que brilhou por terras do Sado fica para outra crónica. Voltemos a uma das grandes figuras da Briosa dos últimos 30 anos.

Pedro Roma – bastava o nome próprio para eu gostar dele. Mas aquele penteado à boys band dos anos 90 e as defesas nos tais jogos televisionados deixavam-me fascinado. Se não estou em erro, há um jogo contra o FCPorto na época 2002/2003, um 1-1 mais para o final do campeonato onde Roma defendeu quase quase tudo e de forma espectacular, só não levando ao desespero o adversário porque nessa altura o título estava praticamente selado pelos dragões.


Mas o ex-guarda-redes da Briosa não é apenas um fetiche meu. Pedro Roma é um símbolo da Académica, um dos poucos dos últimos anos que, para além de jogador, foi estudante ao mesmo tempo. Depois da travessia no final dos anos 80 e início dos anos 90 na Segunda Divisão, Pedro Roma contribuiu para passar o espírito da Briosa aos novos jogadores, muitos deles estrangeiros e raros eram os que se atreviam a entrar no mundo estudantil. Ainda esteve contratualmente ligado ao Benfica mas foi em Coimbra que construiu a carreira, à qual faltou um título e uma chamada internacional.

 
Desenhado por Pedro Barbosa | Gerido por Pedro Fragoso - Heróis e Galináceos