O regresso à competição de Hélton é uma grande notícia para
Julen Lopetegui. O experiente guarda-redes brasileiro superou uma lesão
complicada no tendão de Aquiles e, dez meses depois, voltou a competir
oficialmente pelo clube. O FCPorto tem agora quatro opções muito válidas para a
baliza – Fabiano, Andrés Fernandez, Hélton e Ricardo – e, agora que entramos na
segunda e decisiva metade da temporada, o técnico espanhol tem que optar por
aquela que lhe dá melhores garantias.
Ricardo está destinado a ser apenas um dos muitos guarda-redes
do clube que nunca terá oportunidades e acabará por rodar épocas consecutivas
emprestado a outros clubes da Primeira Liga. A contratação de Andrés Fernandez
sempre foi um mistério para todos. Não podemos dizer que é um mau guarda-redes
mas a sua inclusão no plantel portista não faz sentido desde o primeiro minuto
e só vem dar razão àqueles que contestam a política de contratações do clube –
porque não apostar nos jovens, quando havia Fabiano, Ricardo, Kadú e Hélton?
Este raciocínio pode ser feito para Opare, Jose Angel, Marcano ou mesmo Evandro
e Campaña mas aqui interessa-nos os guardiões da baliza. O guarda-redes
espanhol, portanto, pode ser um bom valor para os treinos e terá alguma margem
para evoluir no Dragão mas parece precipitado pensar nele para primeira opção
até porque Fernandez nunca jogou num grande e a pressão de ser campeão é
diferente da de jogar num clube de meio da tabela espanhola.
Sobram Fabiano e Hélton. O primeiro mereceu a confiança de
Lopetegui até agora, o segundo é já uma referência do clube e figurará
certamente na história do FCPorto como um dos cinco melhores guarda-redes de
sempre. Vamos então analisar os pontos fortes e fracos dos dois guarda-redes.
Fabiano:
Pontos fortes – entre os postes, Fabiano tem uma agilidade fora
do comum conseguindo belas intervenções de nível de dificuldade elevado. Pelo
ar, Fabiano nunca revelou problemas e sempre se mostrou seguro. Antes de chegar
ao Dragão tinha fama de defender grandes penalidades. Com a camisola azul e
branca ainda não revelou essa faceta e já teve várias oportunidades.
Pontos fracos – o jogo com os pés é claramente um problema para
Fabiano: não é que seja “tosco” mas não se sente confortável com a bola nos pés
e isso nota-se ainda mais porque o jogo da equipa pede muita intervenção do
guarda-redes. Pode ainda melhorar as suas intervenções no mano-a-mano com os
atacantes contrários. Fabiano, com excepção do jogo da Taça da Liga do ano
passado com o Sporting, falhou sempre nos jogos grandes, quer na época passada
(Sevilha e Benfica), quer esta época (Estoril, Sporting e Benfica)
comprometendo os resultados da equipa, revelando assim muita ansiedade nestes
jogos e dificuldade em superar a pressão.
Hélton:
Pontos fortes – um guarda-redes que fez esquecer Baía e que é um
símbolo de uma equipa como o FCPorto só pode ser um excelente guarda-redes. O
brasileiro, que passou por uma fase menos boa depois da misteriosa exclusão do
escrete, sempre revelou excelentes reflexos, um jogo de pés fortíssimo, altos níveis
de concentração e excelente chefia da defesa através de uma comunicação muito
bom com os colegas. Sempre foi um guarda-redes de topo.
Pontos fracos – a falta de competição num guarda-redes durante
10 meses é ainda mais grave quando a maior parte do tempo nem treino específico
realiza. Foi o que aconteceu a Hélton após a lesão – ontem, no regresso, vimos
um Hélton com alguma pressa em fazer as coisas bem e a precipitar-se
inclusivamente num lance caricato; no lance do golo, Hélton ficou demasiado tempo
na linha de baliza enquanto o adversário se adiantava no terreno. Outro ponto
fraco é o excessivo risco que o guarda-redes brasileiro gosta de correr nos
lances em que intervém com os pés, quase matando de susto os adeptos nas
bancadas.
Avaliação
Se eu tivesse que escolher, a partir de Fevereiro Hélton seria o
dono da baliza portista. Aproveitaria os dois próximos jogos da Taça da liga
para dar rodagem competitiva ao veterano brasileiro e a partir de Fevereiro
escolheria-o para comandar a defesa portista. As razões são óbvias: na primeira
metade do campeonato, o FCPorto cometeu vários erros defensivos e Fabiano
falhou nos jogos grandes Os defesas, com Hélton na baliza, sentem-se mais
protegidos. Para além disso, e ontem vimos isso, o jogo de pés de Hélton faz a
diferença no estilo de jogo da equipa. Com os pés, Hélton toma melhores e mais
rápidas decisões do que Fabiano fazendo com que a defesa, por onde passa muito
jogo do FCPorto, receba a bola em melhores condições para a transportar
ofensivamente.
Lopetegui, antigo guarda-redes, certamente terá mais dados do
que os apresentados antes para decidir o que é melhor para a sua equipa. Mas é
inegável que o regresso de Hélton vem baralhar as contas na luta pela baliza
portista.


16:03
Pedro Fragoso




