quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Fetiche #3 - Pedro Roma


Durante os anos 90 e inícios da primeira década do século XXI havia uma frase que eu, enquanto miúdo, ouvi muito: “só sabe defender contra os grandes”. Estávamos no tempo em que dava um jogo por semana na televisão e em que os jogos das 16h de domingo eram destaque apenas no Domingo Desportivo em breves resumos de dois/três minutos.Os jogos televisionados eram os dos três grandes e representavam uma grande oportunidade para brilhar perante as várias câmaras. Os guarda-redes, já com a fama de “defender para a fotografia”, agora podiam também fazer defesas vistosas para as repetições de ângulos distintos.

Voltemos à frase: “só sabe defender contra os grandes”. Refere-se, claro, a guarda-redes que faziam grandes exibições contra Benfica, Porto e Sporting, ou seja, em jogos televisionados. Pouco sabíamos das suas prestações noutros jogos mas o talento televisionado naquela altura valia por dezenas e dezenas de jogos na “clandestinidade” dos jogos sob o sol das 16h dos domingos em todo o país. Um miúdo como eu, que até gostava das tardes desportivas das rádios ao domingo, mas também habituado a ver vários jogos não televisionados de um grande, tinha três ou quatro nomes de guardiões que me enchiam as medidas e que brilhavam muito nas televisões portuguesas.

Um deles é Pedro Roma. Outro é Marco Tábuas mas o pequeno guarda-redes que brilhou por terras do Sado fica para outra crónica. Voltemos a uma das grandes figuras da Briosa dos últimos 30 anos.

Pedro Roma – bastava o nome próprio para eu gostar dele. Mas aquele penteado à boys band dos anos 90 e as defesas nos tais jogos televisionados deixavam-me fascinado. Se não estou em erro, há um jogo contra o FCPorto na época 2002/2003, um 1-1 mais para o final do campeonato onde Roma defendeu quase quase tudo e de forma espectacular, só não levando ao desespero o adversário porque nessa altura o título estava praticamente selado pelos dragões.


Mas o ex-guarda-redes da Briosa não é apenas um fetiche meu. Pedro Roma é um símbolo da Académica, um dos poucos dos últimos anos que, para além de jogador, foi estudante ao mesmo tempo. Depois da travessia no final dos anos 80 e início dos anos 90 na Segunda Divisão, Pedro Roma contribuiu para passar o espírito da Briosa aos novos jogadores, muitos deles estrangeiros e raros eram os que se atreviam a entrar no mundo estudantil. Ainda esteve contratualmente ligado ao Benfica mas foi em Coimbra que construiu a carreira, à qual faltou um título e uma chamada internacional.

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