Há uns meses publiquei aqui um texto em que comparava Hélton e Artur Moraes. Disse que o brasileiro do Benfica estava em grande forma e que levava vantagem na luta directa com Hélton. No entanto, este final da temporada faz com que tenha que rever o que escrevi. Não porque Artur não tenha qualidade mas, simplesmente, porque foi decisivo negativamente nos momentos importantes.
Ninguém diria, ao ver as actuações do guarda-redes do Benfica, que estamos perante um jogador experiente, tantas foram as falhas cometidas. Pensava eu que Moraes seria decisivo na recta final da época para segurar os títulos do clube encarnado mas, pelo contrário, comprometeu-os.
Na Liga Portuguesa, Artur está ligado directamente a três jogos em que o Benfica perde pontos. Na Luz, contra o Porto e Estoril, o brasileiro comete dois erros terríveis - dois empates em jogos muito importantes. No Dragão, no jogo do título, se não podia ter feito nada para parar o belo remate de Kelvin, o mesmo já não se pode dizer do golo de Varela: mal colocado, lento a reagir ao ressalto e pouco aplicado no momento de sacudir a bola.
Se na Liga Europa não há nada a apontar, na final da Taça de Portugal Artur fica ligado aos dois golos do Vitória. O primeiro começa num erro absurdo após um pontapé - um erro que Hélton raramente comete - o ponto fraco de Moraes. No segundo golo, apesar do desvio, Artur é mais uma vez muito lento a reagir, Um guarda-redes de topo tem que segurar aquela bola. Ponto.
Preud'Homme esteve cinco épocas no Benfica e nunca foi campeão. Mas tal se deveu à falta de qualidade do resto da equipa e não a erros - foram poucos - que o belga cometeu. Já Artur Moraes claudicou no momento decisivo. Não posso, obviamente, esquecer as belas intervenções nos jogos em casa com o Bayer, em Vila do Conde ou noutras partidas. Mas, na recta final da temporada, um guarda-redes com a qualidade de Artur não pode, nem por sombras, cometer tantos erros e tão graves. Falta de concorrência? Talvez, já que Paulo Lopes no Benfica é apenas um bom rapaz para os treinos e para animar os colegas. O ano passado havia Eduardo.
Quim foi preterido por Jesus por não lhe garantir pontos. Veio Roberto, que soltou a sua veia galinácea de vermelho ao peito. E Artur Moraes, que agora defraudou as expectativas de quase todos os adeptos encarnados. Se o Benfica quiser ter o melhor Artur na próxima época, há que assegurar que terá concorrência forte.


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Pedro Fragoso




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