O Benfica regressa, 23 anos depois, a uma final europeia. Será a nona da história do clube encarnado. Costa Pereira esteve em quatro - ganhou duas -, José Pereira levou quatro golos do Manchester United de Charlton, o mítico Bento só conseguiu uma, contra o Anderlecht. Já o dono da baliza das últimas duas finais foi Silvino Louro.
Natural de Setúbal, foi no Vitória FC que começou a dar nas vistas bem cedo, antes de completar 20 anos. Ganhou a titularidade da baliza sadina e realizou grandes exibições, sendo muito cobiçado. Porém, na época 81/82 perdeu a titularidade para Amaral e, ainda jovem, não queria ficar no banco. Rumou a norte, para o Vitória de Guimarães onde fez duas épocas brilhantes antes de se transferir para o Benfica. Ao serviço dos minhotos, num jogo na Luz, chegou a defender dois penaltis de Nené e fez uma grande exibição. Os responsáveis encarnados viram nele o substituto ideal de Manuel Bento.
Só que Bento não tinha ideias de sair da baliza do Benfica e, após uma época no banco, voltou ao norte, desta vez ao Desportivo das Aves. Fez a chamada rodagem, habitual actualmente nos jovens guarda redes, mas na altura Silvino já tinha 26 anos. Era uma época em que o guarda redes veterano era super valorizado.
Após a passagem pela Vila das Aves, volta ao Benfica e aproveita a lesão de Bento no México'86 para ganhar a titularidade da baliza encarnada. Bento nunca mais recuperou a baliza e, partir daí, Silvino foi titular durante algumas épocas. É nessa altura que o Benfica chega às finais de Estugarda e Viena. Na primeira, Silvino foi incapaz de deter os seis penaltis marcados pelo PSV - era um guarda-redes especialista - e, contra o AC Milan em Viena, não evitou o golo de Gullit, ficando na linha de golo demasiado tempo, enquanto o holandês aproveitava a auto-estrada aberta pelos jogadores do Benfica. Se tivesse ganho este jogo, teria sido ele a levantar a Taça e hoje seria um símbolo incontestável do clube encarnado.
Nas últimas épocas ao serviço do Benfica lutou com Neno pela titularidade, alternando conforme o treinador que estava ao comando da equipa. Não foi titular na última época - 93/94 - e saiu, pensavam todos, para uma reforma calculada no Vitória de Setúbal. Porém, com 35 anos, ia mostrando grande qualidade debaixo dos postes e o FCPorto foi contratá-lo para ser suplente de Baía, sendo treinado por Robson. Com a saída de Baía para Barcelona, pensava-se que Silvino seria o eleito mas António Oliveira, também chegado ao clube, resolveu apostar em Wozniak, primeiro, depois em Eriksson, mais tarde em Hilário mas, nos últimos dez jogos da época, o treinador apostou em Silvino que deu a tranquilidade necessária nos jogos decisivos para a conquista do primeiro tricampeonato da história do clube. Após essa época, muda-se para o vizinho rival Salgueiros, onde cumpre três épocas, as últimas como jogador profissional.
Silvino foi também internacional A. No final da década de 80, para além de substituir Bento no Benfica, fê-lo na equipa das quinas. Mas a ascensão de Baía e a alternância com Neno na baliza encarnada tiraram-no do caminho da selecção, não tendo nunca participado numa fase final, já que em 96 era suplente de Baía no Porto. Referi esta competição porque os eleitos de Oliveira para Inglaterra foram Baía, Rui Correia e Alfredo. Mas já ao serviço do Salgueiros, poucos meses depois de ter ajudado o FCPorto a ser campeão, Artur Jorge chama-o à titularidade porque Baía estava lesionado. Jogou na Alemanha no célebre jogo da expulsão de Rui Costa e em casa na vitória frente à Irlanda do Norte. Foram as últimas internacionalizações de Silvino, aos 38 anos, ele que contabilizou 23.
Não foi um guarda redes vistoso mas era eficaz. Canhoto, de recursos simples, um pouco frágil no jogo aéreo - apesar da altura -, Silvino é actualmente o fiel companheiro de Mourinho no treino de guarda-redes. É conhecido pela sua personalidade exuberante e por ferver em pouca água. Mourinho garante que é o melhor treinador de guarda-redes do mundo. Petr Cech ou Júlio César falam maravilhas dele. Já com Casillas a relação não é a melhor.


22:14
Pedro Fragoso


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