O guarda-redes Quim tem um tique: após a maioria dos golos que sofre, tem por hábito levantar o seu braço direito, insinuando e pedindo a marcação de uma qualquer irregularidade no lance que acabou em golo. Foi assim no Braga, no Benfica, na selecção e novamente em Braga.
Campeão nacional com Trapattoni e Jorge Jesus, parece ter lançado uma maldição ao técnico do Benfica na altura da sua despedida da Luz. Jesus disse que queria um guardião que valesse pontos, saiu-lhe um Roberto na fava e com Artur ainda não conseguiu vencer o campeonato. Quim teve, então, que regressar ao clube de origem para terminar a carreira em grande estilo.
Relativamente pequeno para um guarda-redes mas elástico o suficiente para brilhar para a foto em várias ocasiões, Quim não é nem nunca foi um guarda-redes completo. Pelo ar sofre bastante e tem um frágil jogo com os pés, para além de algumas falhas de concentração. Mas voltemos ao braço de Quim.
Se é costume esticar o braço para o que não deve, na época 2011/2012, à 26ª jornada o Braga recebia o líder FCPorto que tinha que ganhar para praticamente pôr um ponto final no campeonato. O jogo estava equilibrado e foi para intervalo 0-0 - acabaria por resultar numa vitória 0-1 para os dragões. Mas centremo-nos no minuto 42.
Ataque do Porto pelo lado esquerdo, a bola chega à entrada da área a Moutinho que desmarca na esquerda para Hulk. O brasileiro, praticamente na linha de fundo e no limite lateral esquerdo da área, remata violentamente na direcção da baliza. A bola levava a direcção da malha interior do lado direito da baliza de Quim. Só que pelo meio estava o braço - e a mão - do guarda-redes bracarense, que desta vez se esticou por boas e belas razões, retirando no limite a bola da baliza, numa defesa muito complicada e cheia de intenção. Foi, no fundo, uma defesa com nota artística elevada.
É a melhor defesa dos últimos anos na Liga Portuguesa. Podemos revê-la no segundo minuto deste vídeo - pena não haver várias repetições.


22:50
Pedro Fragoso


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