Victor Valdés anunciou recentemente que não iria renovar com o Barcelona. O seu contrato acaba daqui a um ano e pôs muita tinta a correr sobre quando sairia e, também, sobre quem o Barcelona iria encontrar para o substituir.
Valdés é um símbolo do actual Barcelona. É o guarda-redes que até aos 18 anos, sempre na formação do Barcelona, não queria ser guarda-redes, que viveu em constante sofrimento defendo as redes dos escalões inferiores do clube blaugrana. É o guarda-redes que, durante toda a sua formação, viveu longe da família e que conhece por dentro e como poucos La Masía, o centro de formação do clube catalão. Valdés é o guarda-redes que precisou de aconselhamento psicológico perto dos 18 anos para seguir a sua carreira, quando havia o risco eminente de abandonar o futebol. É o guarda-redes que chegou a titular do Barcelona num dos períodos mais difíceis para ser dono das redes daquele clube.
Foram muitos os que passaram pela baliza do Barcelona no pós-Zubizarreta. Busquets, Baía, Ruud Hesp, Arnau, Reina, Dutruel, Bonano, Robert Enke ou Rustu foram sempre vistos como sucessores do guardião basco mas nenhum destes teve um sucesso prolongado. Apenas os primeiros três foram titulares indiscutíveis numa ou outra época mas sem grande brilhantismo. As contratações para a baliza sucediam-se a um ritmo vertiginoso - à semelhança do resto da equipa, diga-setambém - mas nenhum conseguia agarrar o lugar.
Até que Van Gaal apostou em Victor Valdés logo no início da temporada 2002/2003. Fez vários jogos a titular entre a Liga Espanhola e a Champions mas, num célebre jogo em Valladolid, cometeu dois pénaltis de forma idêntica e perdeu o lugar. Os meses que se seguiram foram os mais complicados que viveu como portero do Barcelona: faltou a treinos num acto de rebeldia e, como com Van Gaal não se brinca, foi relegado para a equipa B e teve que fazer uma conferência de imprensa para pedir desculpa pelos seus actos. Durante essa época fez uma longa travessia no deserto até final de Abril. O treinador já era Radomir Antic que apostou em Valdés como titular nos últimos oito jogos do campeonato. A partir daí, foi sempre titular indiscutível do Barcelona.
Rijkaard e Guardiola nunca duvidaram de Valdés, apesar algumas críticas da imprensa. De facto, não se poderia dizer que Valdés era um dos melhores do mundo. Era bom, estava a crescer mas havia melhores. E o facto do Barcelona não apostar numa contratação surpreendia muita gente já que nos outros sectores da equipa sempre foram tendo dos melhores jogadores do planeta. Mas depois de tantos anos à procura de uma solução para a baliza, os responsáveis foram dando confiança a Valdés, que se tornou num dos melhores do mundo por estes dias.
É mais do que evidente que é com Guardiola ao comando que Valdés consegue mostrar uma qualidade superior. Mas isso, a meu ver, tem também um outro factor: durante algumas épocas, Valdés foi titular tendo como suplente Jorquera, outro talento da formação catalã; mas é com a chegada de Pinto - um guarda-redes experiente, sem ser brilhante, mas com muitos anos de balizas na Liga Espanhola - que Valdés consegue ganhar uma outra confiança debaixo dos postes, não cometendo tantos erros como era habitual.
Os que não gostam de Valdés argumentam que ele tem pouco trabalho enquanto guarda-redes do Barcelona. Pode ser que sim, mas isso é mais difícil de gerir porque implica mais concentração. Valdés não é um guarda-redes vistoso entre os postes, é apenas eficaz. Mas onde mais eu gosto dele é nas saídas aos adversários e no bom jogo de pés - apesar de um ou outro erro.
O Barcelona, noticia a imprensa, está a tentar demover o seu guarda-redes da decisão que tomou. Mas, mais tarde ou mais cedo, Valdés terá que sair da titularidade e o Barcelona irá ter que procurar um substituto. E não se perspectiva ser uma tarefa fácil. Já se noticiou o interesse em Rui Patrício mas a fragilidade no jogo de pés do guarda-redes do Sporting não encaixa no perfil pretendido.
E qual é o perfil? Na minha opinião, e tendo em conta a pressão que implicará ser o substituto de Valdés, o Barcelona tem que contratar um guarda redes já feito, que já tenha vivido a pressão de ser guarda-redes de um clube grande. Hipóteses não há muitas: De Gea ou Courtouis ainda são muito jovens mas já têm alguma rodagem interessante; Neuer deverá ser a aposta de Guardiola no seu Bayern; Buffon já não quererá viver esta aventura; Diego Lopéz está no Real Madrid.
Sobram, assim em termos de nomes evidentes, Stekelenburg, Lloris ou Joe Hart. Veremos se os dirigentes do Barcelona apostam num destes nomes ou então descobrem em La Masía um novo talento ou mesmo se apostam num jovem guarda-redes de outra nacionalidade.


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Pedro Fragoso

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