domingo, 17 de março de 2013

A sucessão de Peter Schmeichel



Substituir um grande jogador não é fácil. Se se trata de um goleador, cobra-se ao novo avançado que marque golos. A um novo 10, que finte e faça passes mágicos. A um extremo, que vá à linha e faça cruzamentos certeiros. A um central, que imponha respeito aos adversários e que evite as suas movimentações. E a um novo guarda-redes, para além de não dar frangos, que faça defesas que garantam vitórias. 

Não sei qual delas é a posição mais ingrata mas centremo-nos no caso de Peter Schmeichel. Oito épocas como titular do Manchester United, contribuiu com grandes defesas e exibições para a década dourada do clube: 5 campeonatos, três taças e uma Champions. Para além de talentoso, era carismático. E reforçou a sua posição no clube com o titulo europeu de selecções em 1992. Mas, com a vitória na Champions de 98/99, considerou que tinha chegado ao fim a sua aventura na equipa de Ferguson e partiu, deixando um enorme vazio na baliza do United - os adeptos do Sporting agradecem ainda hoje essa decisão já que o dinamarquês foi essencial para quebrar o jejum dos 18 anos sem o título nacional.

Ferguson teve vários problemas em encontrar um bom substituto para Schmeichel. Só em 2005/2006 encontrou no já veterano Van der Sar a estabilidade necessária. Ou seja, seis épocas até o clube ter um titular indiscutível na baliza. Curiosamente, o mesmo número de temporadas que o holandês foi titular indiscutível, com algumas falhas mas, principalmente, com exibições estrondosas. Tal como Schmeichel, também ganhou uma Champions - embora tenha perdido outra - e foi quatro vezes campeão. 

Mas se olharmos para os títulos, não foi por faltar um guarda-redes que o United deixou de vencer. Nos seis anos sem um titular absoluto e incontestável, o clube foi campeão três vezes, fruto, é certo, de uma equipa cheia de grandes jogadores e de rotinas enraizadas. 

Para o fim, deixo aqui os nomes dos guarda-redes que passaram pela baliza do Manchester United no pós-Schmeichel e no pré-Van der Sar. Uns com mais sucesso que outros mas sem nunca deixar boa impressão junto dos adeptos.


Van der Gouw - era o suplente de Schemeichel, nunca conseguiu ser titular. Na Supertaça Europeia de 1999, foi titular e o único golo da partida, de Marcelo Salas, avançado chileno da Lázio, foi um erro do guarda-redes holandês. Mesmo assim, era um guardião elástico para a altura que tinha.



Mark Bosnich - já tinha jogado duas épocas em Old Trafford antes da chegada de Schmeichel, esteve seis épocas a titular do Aston Villa e regressou ao clube de Manchester para lutar pela titularidade com Van der Gouw. Na primeira época dividiu a baliza com o holandês, na segunda quase nunca foi titular. Foi, depois, aquecer o banco do Chelsea antes de voltar à Austrália, terra natal, para se reformar.


Massimo Taibi - chegou com Bosnich mas raramente jogou. Porquê? Acho que este momento, na nona jornada contra o Southampton, explica quase tudo. Nem uma época durou.




Fabien Barthez - quem melhor que o campeão do mundo de clubes para fazer esquecer Schmeichel? Barthez foi um guarda-redes de alto nível e, em Manchester, teve momentos muito bons, ajudando à conquista de dois campeonatos em três temporadas. Podia estar à procura de grandes defesas mas prefiro recordar dois belos momentos negativos que marcam a sua passagem pelo United. O primeiro, contra o West Ham, num momento inexplicável. O segundo, num jogo da Champions em casa contra o Deportivo, derrota por 2-3. Ver neste vídeo os minutos 1:20 e 5:50. Para mim, a carreira de Barthez no United resume-se a isto. 

Ricardo Lopez - Este espanhol que pouco jogou no clube de Manchester foi contratado ao Valladolid e poucos entendem a sua contratação. 

Roy Carrol - Este norte-irlandês, nas quatro épocas que jogou no clube, foi sempre uma opção válida para Ferguson. Sem ser brilhante, foi muitas vezes eficaz mas nunca foi um guarda-redes de topo. Um bom suplente que impediu o golo mais bonito da carreira de Pedro Mendes. Pois, estou a ser irónico, foi um belo galináceo. 

Tim Howard - vindo directamente dos Estados Unidos, teve duas épocas para provar que seria um grande guarda-redes. Talentoso, algumas quebras de concentração nunca fizeram dele o guarda-redes incontestável. Nos anos seguintes, conseguiu impôr-se no Everton onde é titular e, amadurecido, tem demonstrado ser um guarda-redes completo, sem ser especialmente brilhante.





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